Sonhei de novo com você
No primeiro sonho, estava se despedindo, lembra? Nesse, você havia voltado. Não sei como, mas o porque era claro. Uma pena que esqueci quando acordei. Talvez fossem conselhos, observações ou só pra papear mesmo. Talvez tenha sido só pra gente te ver. No caso, eu, no meu sonho. Foi mais real do que a outra vez. Da primeira, sabia que havia sonhado contigo e, ao acordar, ‘esquecido’ da sua partida.
Dessa vez, tive que ficar alguns segundos deitado na cama, me convencendo de que tinha sido um sono. Foi uma das coisas mais difíceis que fiz na vida: ter que convencer meus sentidos que você partiu, pra valer. Pra sempre. Eu queria me entregar a eles. Deixar que tomassem conta da razão, me recusar a acreditar no que aconteceu, de fato.
Mas não. Não poderia ser diferente. Minha razão e meu compromisso com a ‘verdade’ não me permitiriam fazer isso. Odeio ser enganado pelos outros, inaceitável que fosse enganado por mim mesmo. Mas, a real, é que eu quase, QUASE, me entreguei.
A sensação é de ter chegado à beira de me tornar alguém que enlouquece. Não estou brincando. Ao perceber que quase acreditei que tudo isso [a sua partida, a falta que faz, a dor que sinto] fosse apenas um sonho e que meu sonho estava se tornando a minha realidade, fiquei assustado. Pois cheguei perto, pra valer. Sempre tive essa dúvida: qual a linha que separa a loucura da sanidade?
Acho que cheguei na linha e olhei pra ela, admirado pelas possibilidades que se abririam à minha mente. Mas foi assustador, pois tive a certeza de que seria um caminho sem volta. Um porre sem ressaca, mas um eterno porre, sem conseguir distinguir bem a realidade. Pior, viver com meu sonho se tornando realidade, mas me desconectar do resto da humanidade.
Então, o que sobra? A dor de ter experimentado sua presença novamente, sentido o gosto de tê-lo perto de novo e tudo virar fumaça, em uma baforada suja e amarga da vida. Deus tenha misericórdia da minha alma, pois não confio mais na minha mente.
[Louback]