A cidade fala
No último sábado à tarde, saímos eu e ela para ver se resolvíamos a bronca da mesa de estudos. Depois de muito tentar, em lojas virtuais e físicas, resolvemos procurar um centro de home office.
Nosso raciocínio era que, se nas residências não há demanda de mesas de estudo, pelo menos num escritório elas ainda deveriam ser necessárias para um trabalho mais confortável.
A busca chegou ao fim quase totalmente infrutífera e salvou-se só pelo exercício inesperado de deixar o nosso olhar passear pela cidade e conversar com ela. Os prédios e suas arquiteturas, seus modelos, seus traços, seus dress codes, seus discursos, tudo aquilo a cidade me dizia e me disse primeiro quando encarei o
Tribunal Regional do Trabalho da Segunda Região, que fica ali na Consolação, sabe?
Um prédio sóbrio e rijo de uma maneira que eu até então não vira. Fechava em si um gosto travado, uma gravata apertada e uma fala pedregosa. E então, desde aí e durante toda a tarde, procuramos descobrir o que outros prédios e construções nos falariam, o que eles nos comunicariam… Que reflexos de seus tempos eles abrigam?
[Jansen]