Menino de barba
Falei do sorriso das crianças, mas em dois dias descobri o sorriso dos idosos.
Hoje cedo, foi ao ajudar uma senhora saindo do ônibus. Ela descia os degraus com dificuldade e o último deles parecia muito distante da calçada. Estiquei minha mão, ela se apoiou, viu que era um ‘menino’ ajudando e sorriu. Valeu meu dia.
Ontem garoava com vento. No ponto de ônibus, mesmo embaixo da parte coberta, molhávamo-nos, eu e as três senhoras. Abri meu guarda-chuva e deixei-o de lado, para me proteger do vento. De forma sutil, aproximei-me das senhoras, até que meu guarda-chuva [perdeu o hífen?] as protegesse também, embora não completamente. Passados alguns segundos, uma delas percebeu e veio bem embaixo do guarda-chuva, ficando quase colada em mim. Ela tinha a voz da Nair Belo: “Meninas, venham pra cá também! Tá quentinho!”, falou Dª Terezinha. “Olha que coisa mais fofa esse menino” [eu, no caso, o mesmo da barba que assusta criancinhas]. As duas outras senhoras se achegaram e ficaram pertinho de mim. A mais linda de todas, que infelizmente não lembro o nome, foi em um ônibus antes do meu e a Dª Terezinha ficou para pegar o próximo, com a que tinha um guarda-chuva no braço, mas não negou o meu abrigo.
[Louback]