Apesar da gente
Os olhos correm. Correm para o semáforo, para o lado, para o asfalto, para a criança que chora, a moça que passa, o skate que voa e o monitor, seja da TV, seja do computador. Eles procuram fugir, mas não encontram saída. Correm de si e procuram um lugar a que pertençam. Na cidade grande, pelo menos em São Paulo, os meus são incapazes disso.
Outro dia li alguém dizer que a praia é algo subestimado. Afinal, água, sal e areia. “Oh, que coisa”. Porém, o mar nos possibilita o horizonte. Mais do que no campo, que sempre parece esconder algo atrás daquele morro. A praia é a fronteira final. Meus olhos correm procurando o horizonte e só encontram sossego quando o vêem, no oceano. Vi o horizonte, outro dia. Ele continua lá, apesar da gente.
[Louback]