Eterna dúvida
Desço a Augusta observando os emos, os punks moicanos e vestindo camisetas dos Beatles, as putas que nunca sentem frio, os bares que querem beber da decadência elegante da rua, as fumaças, os cheiros, os gritos e os sussurros e não consigo parar de pensar nos mendigos, loucos e doentes que por lá perambulam, pedem atenção e dinheiro e não sei a que apelo cedo. Se ao católico, que me força a acreditar que qualquer um ali possa ser Cristo transfigurado, como na parábola, e daí me perguntar “devo fazer alguma coisa? e se for Cristo?”; se ao do bondoso bolso, que lembra da impossibilidade de prover o aluguel e todas as esmolas esperadas; ou se ao libertador-individualista-sacana-insensível do “pago meus impostos, tenho a consciência tranquila”.
Adoeço com essa indecisão.
[Jansen]