Arrepio
Maliciosa, ela perguntou quando eu ia embora. Eu teria dito que passaria eras dourando e torrando com ela nas praias da primeira capital, mas não podia me furtar a falar a verdade. “Amanhã”, disse devagar, esperando que minha resposta não afetasse o modo como ela me beijava.
Não afetou. Conversamos ainda muito sobre pouca coisa, nossas línguas já dormentes de álcool e beijos, e mais tarde, quando ela cochilou, pude ter certeza que aquilo era um dos holy moments mais fascinantes da minha vida: um metro e sessenta e poucos centímetros de menina, de mulher, de pele cheirosa de chuva e suor, arrepiada pelo frio do arcondicionado e sorrindo, mesmo com a despedida há poucos minutos dali.
Ainda penso nela todos os dias.
[Jansen]