Na biblioteca
Queria comprar livros por muitos motivos. Queria comprar livros, muitos livros, para deixa-los espalhados pela casa, amontoado nos cantos, ocupando as estantes e os armários. Com livros, nunca nunca nunca se sentiria sozinho. Sempre que por acaso todos sumissem e a sexta-feira à noite [ou a manhã de quarta, ou a tarde sexta, ou o horário de almoço da segunda…] ficasse vazia, sacaria um livro da pilha e teria diversos amigos dispostos a contarem suas histórias. Se quisesse lascívia, poderia escolher entre agarrar a cintura de Gabriela ou ganhar as carícias desencanadas de Lenina Crowne. Se cansasse das bobagens de Harry Potter, poderia convidar um maduro David Kepesh para um café. Se o silêncio falasse mais alto, poderia observar Arturo crescer ou fumar. Quando a noite se tornasse desejosa de agito e bailar, poderia atravessar o quintal e ir ter com Gatsby.
Livros, com seus cheiros, tamanhos, lombadas e gramaturas, são mais do que companheiros para dentro de uma biblioteca. São porta-amigos.
[Jansen]