Café da manhã
hoje peguei carona com meu primo até a Dr. Arnaldo. ao invés de tomar um ônibus, resolvi descer a Teodoro Sampaio toda, caminhando. ali tem uma série de lojas de instrumentos e acabei parando em uma delas.
é difícil você caminhar com sol na cara e Sabbath nos fones, ver uma Gibson preta pendurada e não lembrar de quando você tinha 15 anos e passava a madrugada tocando com a bunda da tua guita encostada na lateral do armário pra dar uma acústica porque não podia ligar no ampli.
ou de quando você resolveu gastar uma bela grana e comprar aquele Meteoro Vulcano de 200 watts e entrar numa banda logo depois de ter descoberto Down.
e da pilha imensa que te dava tocar Dog Tired no palco. e de se sentir no meio de uma pequena revolução ao tocar coisas assim em “festivais” com dez, vinte bandas de molecada.
fazer parte da única banda que não tocou aquela mesma música dos Ramones, middle finger salute pra guria que pedia pra tocar guns.
- posso ajudar?
- pode sim, cara. eu tava passando e me deu vontade de ligar uma Gibson SG num ampli valvulado. não vô comprar nada.
- porra, relaxa. são novemeia da manhã, ninguém vai comprar nada. senta ali na frente daquele Fender bege, véi.
daí gastei uns bons quinze minutos tentando relembrar riffs com distorção e improvisar uns solitos de blues sem distorção. botei reverb, tirei reverb.
- valeu, cara. bom jeito de se começar o dia.
- hahaha, pódicrê.
- falô aí.
- falô.
(Trecker, convidado especial)